Export Compliance é um conjunto de requisitos de controle de exportação que as lojas de aplicativos impõem a produtos que usam criptografia. O desenvolvedor deve especificar a categoria de criptografia e enviar uma declaração de acordo com as normas do Bureau de Indústria e Segurança dos EUA (BIS). De acordo com Apple Export Compliance Documentation, 2026, o preenchimento incorreto leva à rejeição do build. O procedimento afeta tanto a App Store quanto o Google Play, e requer compreensão das categorias CCAT e do mercado de massa.
Principais pontos
Export Compliance é um conjunto de requisitos regulatórios que regem a exportação de software com funções criptográficas para fora dos Estados Unidos. As regras são estabelecidas pelo Bureau de Indústria e Segurança (BIS) do Departamento de Comércio dos EUA sob os Regulamentos 15 CFR Partes 730–774. Apple e Google, como empresas americanas, são obrigadas a verificar se os aplicativos cumprem essas normas. O desenvolvedor preenche uma declaração, especificando a categoria de criptografia e o tipo de algoritmos usados.
A base regulatória é EAR (Export Administration Regulations), que classifica todo o software criptográfico por categorias. A Categoria 5 Parte 2 cobre produtos com criptografia. Para aplicativos móveis, aplicam-se regras simplificadas — mercado de massa e procedimento de notificação de autoclassificação. O desenvolvedor não precisa obter uma licença individual se o aplicativo se enquadrar em uma exceção.
Qualquer aplicativo que use criptografia é obrigado a passar pela verificação. A exceção são produtos que usam apenas criptografia embutida do SO (URLSession no iOS, SSLSocket no Android) sem adicionar algoritmos criptográficos próprios. Se o desenvolvedor adicionar criptografia personalizada, a biblioteca OpenSSL ou qualquer implementação AES/RSA, a declaração é obrigatória. De acordo com o Google Play Console, cerca de 30% dos aplicativos rejeitados o são devido a Export Compliance incorreto.
O controle de exportação protege a segurança nacional ao restringir a disseminação de tecnologias criptográficas. Os EUA exigem relatórios sobre produtos com criptografia para evitar seu uso para fins ilegais. Para o desenvolvedor, o não cumprimento leva ao bloqueio do aplicativo, multas de até 1 milhão de dólares e proibição de publicação. Apple e Google atuam como agentes de controle — eles não permitirão a passagem de um build sem uma declaração correta.
A violação do Export Compliance pode resultar na remoção do aplicativo da loja e na inclusão do desenvolvedor em uma lista negra. O BIS pode impor sanções administrativas, incluindo multas elevadas. Em 2024, o BIS multou três empresas em mais de 2 milhões de dólares por publicar software com criptografia não certificada. Para desenvolvedores independentes, o principal risco é a rejeição do build e a perda de tempo com a republicação.
Apple e Google atuam como intermediários entre o desenvolvedor e o regulador. App Store Connect e Google Play Console incluem formulários obrigatórios de Export Compliance durante o processo de upload. Sem completar esta etapa, o botão de envio para revisão é bloqueado. As lojas não verificam a precisão dos dados — apenas sua presença. A responsabilidade pela veracidade recai sobre o desenvolvedor.
A classificação da criptografia começa respondendo à pergunta: o aplicativo usa sua própria criptografia? Se o aplicativo depende exclusivamente das APIs padrão do SO (CommonCrypto no iOS, javax.crypto no Android), ele se enquadra em uma exceção e não requer declaração. Se uma biblioteca externa foi adicionada ou um algoritmo personalizado foi implementado, a categoria CCAT deve ser determinada.
CCAT-1 — bens de mercado de massa com criptografia que atendem à exceção 740.17 do EAR. Isso inclui aplicativos com criptografia AES-128/256, RSA-2048 usando protocolos padrão TLS/HTTPS. CCAT-2 — produtos com criptografia não padrão que exigem licença individual. A maioria dos aplicativos móveis se enquadra em CCAT-1. A categoria de mercado de massa é a forma mais simples de declaração.
Um aplicativo é considerado produto de mercado de massa se suas funções criptográficas estão disponíveis para um público amplo, não exigem conhecimento especial para uso e estão em conformidade com padrões abertos. De acordo com o BIS Supplementary Information (2025), o mercado de massa inclui aplicativos com AES, RSA, ECC e implementações TLS 1.2/1.3. Se o aplicativo usar algoritmos não padrão com comprimento de chave inferior a 56 bits, ele é excluído desta categoria.
O procedimento de Export Compliance na App Store começa no App Store Connect ao fazer upload de um novo build. O sistema faz uma série de perguntas: o aplicativo usa criptografia, é de mercado de massa, tem ERN registrado? O desenvolvedor responde e com base nas respostas o status de exportação é gerado. Se um erro for cometido, o status pode ser alterado — a Apple não penaliza correções, mas o reenvio do build é obrigatório.
ERN (Encryption Registration Number) é um número de registro anual no BIS que confirma que o produto foi notificado e classificado. O registro ERN é gratuito e válido por um ano. O formulário de submissão é o SNAP-R no site do BIS. Após obter um ERN, o desenvolvedor insere o número no App Store Connect e fica isento de perguntas repetidas em uploads subsequentes durante o ano. Segundo estatísticas da Apple, 60% dos desenvolvedores usam ERN para simplificar o procedimento.
Se o ERN não estiver disponível, o desenvolvedor realiza a autoclassificação através da interface do App Store Connect. A Apple usa um algoritmo baseado nas respostas para atribuir uma categoria. Se a seleção estiver incorreta, o sistema recomenda obter um ERN. A autoclassificação é adequada para aplicativos simples com criptografia padrão. Para produtos com criptografia não padrão, a Apple recomenda o registro ERN para evitar erros.
O Google Play implementa a verificação de Export Compliance através de um formulário no console do desenvolvedor. Ao criar uma nova versão, o sistema solicita informações sobre criptografia. O Google usa as mesmas categorias EAR que a Apple, mas o processo é chamado de Export Compliance Review. As respostas são registradas e aplicadas a todos os builds futuros. O Google não exige ERN para a maioria dos aplicativos — uma declaração de pertencimento ao mercado de massa é suficiente.
No Google Play Console, a seção Export Compliance está localizada nas configurações de Conteúdo do aplicativo. O desenvolvedor responde a três perguntas: o aplicativo contém criptografia, é destinado ao mercado de massa e atende à exceção 740.17? O Google não verifica a precisão das respostas até que uma reclamação seja apresentada. No entanto, o BIS pode solicitar documentos, e o desenvolvedor deve fornecer justificativa para a classificação.
A principal diferença — a Apple exige ERN para casos complexos, o Google se baseia na autodeclaração. A App Store solicita Export Compliance para cada novo build, o Google Play uma vez por aplicativo. A Apple verifica as respostas de forma mais rigorosa e pode rejeitar um build, o Google apenas registra os dados. Ambas as lojas seguem o mesmo quadro regulatório EAR, mas o processo de implementação difere. O desenvolvedor só precisa entender a classificação uma vez para publicar em ambas as plataformas.
Os erros no Export Compliance se dividem em três categorias: classificação incorreta da criptografia, omissão de campos obrigatórios e ERN incorreto. O mais comum — o desenvolvedor afirma que a criptografia não é usada, embora o aplicativo chame métodos CommonCrypto ou javax.crypto. O segundo mais comum — seleção incorreta da categoria CCAT, quando um aplicativo com TLS 1.3 é marcado como criptografia não padrão. O terceiro — inserir um ERN inválido que não passa na verificação do banco de dados do BIS.
Recomenda-se elaborar uma lista de todas as funções criptográficas do aplicativo antes de preencher o formulário. Verificar quais bibliotecas são importadas e quais APIs de criptografia são chamadas. Para iOS — verificar a presença de CommonCrypto, Security.framework, OpenSSL. Para Android — javax.crypto, android.security, Conscrypt. Se o aplicativo usa apenas HTTPS através de requisições de rede padrão, ele está isento de declaração. Na menor dúvida, escolha a opção com declaração.
Uma auditoria regular de Export Compliance ajuda a evitar sanções ao atualizar o aplicativo. Se criptografia for adicionada em uma nova versão, a declaração deve ser preenchida novamente. Apple e Google notificam o desenvolvedor se a categoria do aplicativo mudar. Recomenda-se verificar a validade do ERN uma vez por ano e renová-lo se necessário. Para grandes projetos com dezenas de aplicativos, automatizar a auditoria através de CI/CD reduz o risco de erro humano.
Perguntas frequentes
Não, se HTTPS for implementado através das APIs embutidas do SO (URLSession no iOS, HttpURLConnection no Android) sem adicionar certificados próprios ou algoritmos criptográficos personalizados, a declaração não é necessária. A exceção é o uso de OpenSSL ou outras bibliotecas TLS de terceiros.
ERN (Encryption Registration Number) é um identificador de registro anual no BIS. Pode ser obtido gratuitamente através do sistema SNAP-R no site bis.gov, preenchendo um formulário de notificação de classificação. O número é válido por 1 ano e cobre todas as versões do aplicativo.
Sim, a Apple pode rejeitar um build se as respostas de Export Compliance forem contraditórias ou não corresponderem à funcionalidade do aplicativo. Neste caso, o desenvolvedor recebe uma mensagem da App Store Review informando o motivo e pode reenviar o build com os dados corrigidos.
O quadro regulatório EAR é o mesmo, mas o processo difere: a Apple verifica cada build, o Google verifica uma vez por aplicativo. A Apple exige ERN para criptografia não padrão, o Google aceita autodeclaração. Ambas as lojas seguem as categorias CCAT e as regras do BIS.
App Store e Google Play bloqueiam o upload do build sem um formulário de Export Compliance completo. O aplicativo não passará pela revisão e a publicação se tornará impossível. Para aplicativos já publicados, alterar o status de exportação requer um novo build e uma nova revisão.
Resumo
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